NASCERAM OS ELEFANTES BRANCOS DA COPA – E AGORA, PACHECADA?

NASCERAM OS ELEFANTES BRANCOS DA COPA – E AGORA, PACHECADA? 

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Sinto voltar a esse tema espinhoso e desagradável, mas meu bolso está doendo e não vai me deixar ficar quieto.

Semana passada, a FIFA – ela mesma – apresentou um relatório no qual afirma que quatro estádios construídos para sediar jogos da Copa do Mundo – Manaus, Cuiabá, Brasília e Natal – já dão prejuízos a seus Estados.
O secretário-geral da FIFA, o simpaticíssimo Jerôme Valcke, anunciou um projeto de R$ 100 milhões para “revitalização dos estádios”: “É claro que dá para criticar alguns dos estádios, mas haverá tempo para o uso desses estádios. Isso leva tempo".
Valcke tem razão. Leva tempo. No caso de Brasília, cerca de mil anos, tempo necessário para recuperar o 1,7 bilhão de reais de dinheiro público gastos na obra.
A Arena das Dunas, em Natal, construída ao custo de R$ 423 milhões, tem recebido uma programação extensa de jogos e eventos, mas a média de público nas partidas de futebol não passa de 9 mil pessoas, para uma capacidade de 31 mil (a capacidade era de 42 mil na Copa com as arquibancadas móveis, que foram erguidas para receber quatro jogos da Copa e, posteriormente, foram desmontadas).
A Arena Amazônia, que custou aos contribuintes R$ 757 milhões, recebeu em 2014 impressionantes QUATRO jogos depois da Copa do Mundo: Vasco da Gama x Oeste, Botafogo x Corinthians, Botafogo x Flamengo e Flamengo x Vitória (BA). Os jogos renderam ao governo local R$ 823 mil, ou 27,45% do custo de manutenção mensal da Arena Amazônia.
Somado ao faturamento com shows e eventos - como um show da cantora Ivete Sangalo e o festival de música gospel "Louvarei 2014" - o estádio teve uma receita de R$ 1,6 milhão desde a Copa, contra um custo de manutenção de R$ 3 milhões, o que significa um prejuízo acumulado de R$ 1,4 milhão - além dos 757 milhões gastos na obra, claro.
Vale lembrar que nosso então Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (hoje na pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, onde certamente ajudará a difundir sua tese de que o aquecimento global é uma farsa imperialista), defendeu as construções dos estádios para incentivar o futebol local: “Eu acho que esse estádio de Manaus é importante, como o de Cuiabá também é, para o futebol local”, disse Rebelo.
Infelizmente, os times locais não concordaram com ele. Nenhum time amazonense jogou na Arena Amazônia após a Copa devido ao alto custo de manutenção do elefante branco.
A situação da Arena Pantanal é ainda mais triste: menos de sete meses após ser inaugurada, já foi interditada para reparos emergenciais. Segundo o noticiário, o estádio, que nos custou R$ 626 milhões, apresenta problemas na rede elétrica, infiltrações e alagamentos. No fim do ano passado, Andrômeda, uma égua da cavalaria da Polícia Militar, morreu eletrocutada enquanto passeava no gramado da área externa do estádio.
Após a Copa, a Arena Pantanal recebeu outros 15 jogos das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, além da Copa do Brasil. O público total foi de 191.453 pagantes, com média de 12,7 mil torcedores. A capacidade total do estádio é de 44 mil torcedores. Nas partidas dos times locais não foi cobrado aluguel. Já em jogos da Série A e Copa do Brasil, o valor do aluguel foi de R$ 50 mil.
Foram realizados ainda outros dois eventos: um show do Rappa e o lançamento de um condomínio. O faturamento total pós-Copa foi de R$ 200 mil, enquanto o custo mensal de manutenção é de R$ 300 mil.
E quem diz que a Arena Pantanal é um elefante branco não é nenhum derrotista, entreguista ou imperialista, mas o próprio governador de Mato Grosso, Pedro Taques: “O Maracanã, por exemplo, está renegociando sua concessão. Se um estádio como aquele não dá lucro, imagina a Arena Pantanal”, disse Taques, por meio de sua assessoria.

http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/nasceram-os-elefantes-brancos-da-copa-e-agora-pachecada-20150127/