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Política no futebol leva França a rejeitar seus craques com origem muçulmana

Política no futebol leva França a rejeitar seus craques com origem muçulmana 

Divergências fazem muitos jogadores se recusarem a cantar o hino e até a servir a seleção

Eugenio Goussinsky, do R7










Ao contrário do que ocorre na maioria dos países, na França, o futebol nunca foi um instrumento de integração popular forte dentro da sociedade. Com o acirramento da islamofobia (aversão a seguidores do islã), isso ficou ainda mais evidente.
Se nos jogos entre os clubes ainda há espaço para a interação entre os torcedores, em relação à seleção nacional a questão é bem diferente.
O país ainda se ressente de feridas abertas desde o fim da Guerra da Argélia, um conflito sangrento que culminou com a independência do país africano em 1962.

Desde então, descendentes de argelinos, e de outros países da região, denominada Magreb, composta também pelo  Marrocos, Sahara Ocidental e Tunísia, imigraram para a França em busca de trabalho e melhores condições de vida.
O ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, afirmou ao R7 que, neste momento, resquícios da guerra franco-argelina estão fazendo efeito e a França tem rachaduras que precisam ser consertadas.
O atentado promovido por radicais islâmicos à sede da revista Charlie Hebdo, nesta segunda (7), em Paris, deixando 12 mortos, foi um evento terrível que expôs, em níveis brutais de loucura, uma insatisfação permanente entre a população local, que já conta com uma miscigenação significativa. 
Lafer considera que atitudes como a do atacante Karim Benzema, que se recusa a cantar A Marselhesa, tradicional hino francês e que evoca a identidade do país, podem acirrar divergências que precisam ser superadas.
— O direito à identidade, à diversidade dentro de um país tem de ser baseado nos direitos humanos. Não se pode minar a união desta maneira. O futebol também tem um componente de nacionalidade presente e se recusar a cantar o hino não deixa de ser uma rejeição ao próprio país. 
Segurança 

Para o ex-ministro, A Marselhesa não carrega uma mensagem de intolerância, mas sim de universalidade no combate ao Antigo Regime na França, ditatorial e monárquico, baseada em conceitos como liberdade de pensamento. Por isso, o contexto em que ela foi feita deve ser levado em conta, segundo ele.

— A Marselhesa foi unicamente um fruto dos ideais da Revolução Francesa que valorizavam acima de tudo os direitos humanos.
Lafer observa que o sentimento de xenofobia em toda a Europa vem aumentando nos últimos anos e que a preocupação do governo francês deve ser a conciliação de várias visões dentro de um cenário conturbado pela ameaça do radicalismo.
— É preciso garantir o direito de segurança de todos os cidadãos. Mas o governo não pode deixar de lado a essência que originou a Comunidade Europeia. Toda a construção da Europa após a Segunda Guerra foi baseada nos direitos humanos e não se pode minar o que foi construído até agora. 
Benzema, francês filho de argelinos, vem se recusando a cantar o hino nacional da França desde o Mundial de 2010, na Alemanha. Segundo o jornalista Cyril Collot, da OLTV (TV do clube Lyon), a atitude de Benzema, inicialmente, irritou a maioria dos franceses.
— Mas na Copa do Mundo seguinte, no Brasil, isso já não afetou, porque se viu que era uma atitude tomada por muitos outros franceses de origem argelina e de outros países.
Benzema não se manifestou pelas redes sociais, em relação ao atentado. Isso logicamente não quer dizer que ele apoiou o ato, mas outros jogadores franceses, de origem árabe, como Samir Nasri, deram declarações de apoio aos familiares das vítimas.
Rejeição histórica 

A postura combativa dos futebolistas e dos torcedores é uma constante no país, que somente viu o futebol florescer como uma manifestação de identidade a partir de 1984 (quando a França foi campeã europeia). 

Mas mesmo a seleção campeã mundial de 1998, cujo maior craque era Zinedine Zidane, também descendente de argelinos, causou divergências na sociedade. Representantes da direita, por exemplo, execravam o time nacional por ele contar com descendentes de africanos e jogadores negros. Zidane, vale lembrar, também se recusava a cantar o hino. Assim como Michel Platini, craque francês na Euro 1984 e no Mundial de 1986. 
O número de muçulmanos no país, a maioria descendentes de imigrantes de países do Norte da África, vem crescendo nos últimos anos e já chega a 6% da população (cerca de 3,6 milhões de pessoas). Inclusive o dinheiro de países árabes tem financiado vários projetos na França, como a compra do Paris Saint-Germain, clube de futebol da capital, pelo Emir do Qatar, Tamim bin Khalifa Al Thani. O Qatar é a terceira maior reserva de gás natural do mundo.
As questões sociais e de identidade, aliadas a uma tendência libertária da população francesa, cerne da concepção moderna de direitos humanos, fizeram do futebol mais um palco de reivindicações contra o sistema.
As rusgas, portanto, vêm de longe. Em 1958, os jogadores Rachid Mekhloufi e Ben Barak, de origem argelina, se recusaram a vestir a camisa francesa na Copa do Mundo de 1958. O único da região que aceitou a convocação foi o atacante Just Fontaine, apesar de também discordar das diretrizes do regime.
Na Copa do Mundo de 2014, a Argélia teve 21 dos 30 convocados nascidos na França. Entre eles estavam os destaques da equipe, Bougherra e Feghouli. Essa situação, segundo Collot, tem se tornado angustiante para os jogadores e, ao mesmo tempo, reflete uma realidade do país, em que muitas pessoas de origem africana, nascidas na França, não reconhecem a cidadania francesa.
— É uma situação difícil, pois o jogador sofre pressão dos dois lados. Em geral, os que aceitam defender a França o fazem também para estar na elite do futebol e ter mais visibilidade. Outros preferem ser titulares na Argélia do que reservas na França. Mas fora essa questão prática, há a questão da identidade. Se eles escolhem uma cidadania, provavelmente serão repreendidos pelos que defendem a outra bandeira e, de um modo ou de outro, serão considerados traidores.


http://noticias.r7.com/internacional/politica-no-futebol-leva-franca-a-rejeitar-seus-craques-com-origem-muculmana-10012015

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