Gestor do Fórum LGBT Potiguar cobra mais igualdade nas investigações criminais


Segundo Wilson Dantas, baixa renda determina rigor nas apurações; em 2014, doze homossexuais foram mortos

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Diante da velocidade na investigação da morte do estudante Máximo Augustos, com fatos novos a cada turno do dia, Wilson Dantas Sobrinho, coordenador do Fórum LGBT Potiguar, pensa na resposta à família da vítima, mas se sente obrigado a lembrar de que no ano passado outras doze ficaram sem saber o que aconteceu com seus filhos. “Todo ser humano tem seu valor, seja gay, negro, pobre, hetero, qualquer um. Mas quando é um homossexual de baixa renda, ninguém quer saber”.
Wilson é organizador da Parada Gay de Natal. Ele revela números e acusa diferença de empenho da polícia civil para desvelar assassinatos outros, com os 32 de 2007, segundo afirma, o recorde no Estado. “Desse aí, até hoje, poucos foram solucionados. Claro que a polícia tem que descobrir quem matou Máximo. Mas essa repercussão toda, essa dedicação até da secretária Kalina [Kalina Leite, secretária de segurança pública do RN], só está acontecendo porque ele é de uma família de bom poder aquisitivo, com amigos importantes, na imprensa, em todo canto”.
No Brasil mata-se um homossexual a cada 28 horas, segundo o Grupo Gay da Bahia. A maioria no Nordeste. “Aqui nós temos uma sociedade machista, patriarcal, preconceituosa e muito homofóbica. Vejo muito político aparecer na Parada Gay, dizer que vai trabalhar em prol da nossa causa, mas que nunca fez nada. O Rio Grande do Norte é o único Estado do país que não tem uma coordenadoria da diversidade sexual. Tem para mulher, idoso, criança, menos para gay”.
Ao destacar a importância da imprensa na denúncia e cobrança por celeridade na investigação dos casos, Wilson volta a citar o drama existencial de quem assume a sexualidade de uma minoria. “Muitos homossexuais acabam vivendo sua vida no armário, escondidos, para evitar tanta exposição e vergonha. Quantos homossexuais e travestis são assassinados e ninguém faz nada? Poucos casos são encaminhados ao Judiciário e a imensa maioria nem é elucidado. Gay não dá voto. Entra governo, sai governo e o quadro é o mesmo, de homofobia velada. Somos tratados como cidadãos de terceira categoria”.
http://jornaldehoje.com.br/coordenador-forum-lgbt-potiguar-questiona-diferenca-de-empenho-nas-investigacoes-na-morte-de-homossexuais/