Porteiro da boate Vogue pede cautela na especulação sobre homofobia no caso


Funcionário da Vogue desde a inauguração, Shakira conta detalhes sobre a noite na casa noturna

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A morte do estudante de administração Máximo Augusto Medeiros de Araújo tem movimentado redes sociais, veículos de comunicação e o poder público, nos últimos dias. Com isso, especulações sobre detalhes do crime surgem a cada instante, simultâneas a investigação da Policia Civil conduzida pelo delegado Fábio Rogério.

Uma dessas hipóteses gira em torno da homofobia, pois ao ser encontrado, o corpo do jovem apresentava sinais de violência incomuns para um latrocínio – estava nu, com rosto desfigurado e cheio de hematomas nas costas. Para um frequentador da casa noturna que concedeu entrevista na condição de anonimato, não há dúvida quanto a agressão ter elementos que caracterizam preconceito sexual.
Ou foi um programa que deu errado, que ele não tinha o dinheiro pedido ou o cara pediu mais que o combinado, não sei. Só sei que não foi um simples roubo seguido de morte. Isso é comum de acontecer quando matam gays. Sempre tem essa característica de ódio, de maltratar, de deixar marcas. Enchem de areia na boca, nos órgãos genitais, e fazem outras coisas brutais. Ele [Máximo] vinha de duas boates, muito bêbado e deu esse azar”.
A fonte afirma que a área onde fica a boate Vogue, no San Valle, é bem monitorada pela polícia, sempre presente também em virtude de ter um bar nas imediações que funciona como um prostíbulo. “Mas casos dessa natureza, com essa violência, eu nunca soube. Tem, no máximo, briga de travestis, um ou outro michê se oferecendo por dinheiro, em busca de programa. Talvez o assassino fosse um desses”.
Por outro lado, o recepcionista da Vogue, Zilmar Júnior, cujo apelido é Shakira, é cauteloso quanto a versão sobre homofobia na morte de Máximo. Ele confirma que o estudante era frequentador assíduo da boate, só que diante da epidemia de violência que infesta o Brasil, crimes chocantes acontecem todos os dias, independente de opção sexual ou condição social. “Tenho medo que seja apenas mais um número, sem que ninguém tome providências”.
No entanto, ele assume que muito homossexual enfrenta situações de risco, na ânsia por prazer. Há 18 anos ele trabalha na casa noturna, desde os tempos de Alecrim. “Eu sou gay e sei, posso falar: gay se arrisca muito, se põe em muita situação de risco. É uma mistura explosiva de vida noturna, bebida, sexo fácil, às vezes, pago. As pessoas usufruem desse momento e ficam suscetíveis a todo tipo de perigo”.
E segue na análise de quem tira o ganha pão da noite desde os anos 1980. “Não podemos descartar a hipótese de homofobia, mas temos que ter calma, não podemos generalizar. Morrem pessoas todo dia, o mundo está muito violento. O que fizeram com Máximo foi violento? Foi. Foi uma crueldade muito grande, mas não podemos ser levianos e apontar de cara que foi homofobia. Meu medo é que isso engrosse o cordão do preconceito”.

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