Lista de pirâmides
não para de crescer
Internet se tornou terreno fértil para esse tipo de atividade
A internet é um terreno fértil para o alastramento das pirâmides
financeiras. Usando a roupagem do marketing multinível para mascarar o golpe,
esses negócios têm feito milhões de adeptos e provocado prejuízos ainda incalculáveis
à economia nacional.
A situação é tão preocupante que o governo federal deve tomar, em breve,
medidas severas para combater os fraudadores e impedir que novas propostas
perigosas nasçam e façam ainda mais vítimas.
Segundo responsáveis por investigar os esquemas, a quantidade de empresas
suspeitas tem crescido de forma extraordinária. Hoje, a lista de empresas
investigadas pelo desenvolvimento de sistema piramidal tem mais de 50 negócios.
A força-tarefa formada por promotores, procuradores federais, Ministérios da
Justiça, da Fazenda e Polícia Federal alerta que o número pode ser ainda maior.
A forma que o governo federal vai usar para combater as empresas ainda não foi
divulgada. É possível que sejam adotadas até medidas legislativas ou decreto presidenciais.
Outra proposta que também pode congelar o avanço das pirâmides é a publicação
de uma nota técnica ou uma espécie de regulamentação que erradicaria as
empresas de fachada. A medida pode ser adotada pelo Ministério da Justiça em
conjunto com o Ministério da Fazenda.
Hoje, estima-se que quase três milhões de pessoas estejam ligadas a empresas
que praticam o antigo golpe, comum nos anos 90, chamado de pirâmide financeira.
“Vivemos um momento complicado e nós, promotores, não temos condições mais de
agir sozinhos. Quando conseguimos fechar uma empresa, outras 10 pirâmides
surgem. Será necessário atuar para educar o consumidor e mesmo criar leis para
impedir a criação desses negócios”, explica a promotora do Consumidor de
Vitória, Sandra Lenbruber.
Para ajudar na percepção de empresas que ainda estão na fase de recrutamento de
divulgadores, a força-tarefa contará com o apoio dos 700 Procons do país. Os
órgãos serão responsáveis por acender o sinal de alerta para que promotores
atuem com agilidade no extermínio dos abusos.
Multinível
Em pesquisas em site de buscas na internet, A GAZETA encontrou 50 empresas que
atuam com marketing multinível e que prometem aos interessados em empreender
retorno rápido. A rentabilidade oferecida varia de 50% a 1.000% do valor
investido. Alguns negócios garantem retornos milionários em menos de um ano.
Quatro das empresas estão suspensas pela Justiça, outras ainda estão em
investigação. Mas o fato é que todas elas agem de maneira semelhante. Mas ainda
não é possível dizer que todas são fraudes.
Grande parte afirma atuar com e-commerce, mas há grupos que não deixam claro o
tipo de negócio que executam, porém, chegam a prometer 12 formas de ganhos.
Na lista das empresas de marketing multinível estão companhias que sequer
oferecem explicações sobre o modelo de gestão. A maioria afirma trabalhar com
vendas de VoIP, rastreamento veicular, perfumes, cosméticos, energéticos e
aparelhos eletrônicos.
O cadastramento é feito sem a liberação de um manual ou contrato de adesão.
Mesmo sem detalhes do negócio, em suas páginas na web, essas companhias
permitem facilmente o cadastro e o pagamento das inscrições.
No levamento, entre as empresas, chamam atenção sites que dizem atuar como uma
corrente solidária de ajuda a pessoas endividadas. Os consumidores que estão no
vermelho podem lucrar, segundo a proposta, valores de até R$ 30 mil para pagar
as dívidas.
Na internet, há até empresas ousadas que deixam claro em seus sites que
sobrevivem da adesão de novos associados.
“O foco principal é a construção da rede. Portanto devemos usar os produtos
para girar capital no negócio. Para funcionar a perfeita engrenagem é
necessário que cada um convide uma pessoa para o negócio e essa pessoa convide
outra, que convida outra e assim por diante, formando uma rede de negócios”,
explica uma das empresas pesquisadas.
Semelhanças
Segundo o promotor Murilo Moraes e Miranda, presidente da Associação dos
Ministérios Públicos do Consumidor (MPCON), boa parte desses negócios lembra o
maior golpe registrado na história do país: Avestruz Master. A empresa goiânia,
que abriu as portas em 1998, ruiu em 2005, deixando prejuízos de R$ 2 bilhões a
40 mil associados.
Os bens bloqueados pelo Ministério Público de Goiás, em Termo de Ajustamento de
Conduta, foi de apenas R$ 120 milhões, valor insuficiente para pagar todos os
investidores. O grupo prometia, segundo Miranda, responsável pelo caso,
rentabilidade de 16% ao ano.
“Esse rendimento era inviável. Mas hoje as empresas chegam a oferecer
rentabilidade média de 60%, algo que é inimaginável. Nada que promete um
retorno com esse percentual é sustentável”, afirma.
O promotor explica que os brasileiros precisam entender que essas empresas são
golpes financeiros e que um dia vão quebrar.
Segundo ele, a detecção da pirâmide é difícil de ocorrer em casos onde há
mercadorias, como ocorreu com a Avestruz Master. “Quando você tem um animal
como o avestruz é difícil de falar imediatamente que é uma pirâmide. Além do
que não pode ser o Ministério Público o responsável em dizer ser uma empresa é
pirâmide ou não. As pessoas precisam entender que é golpe”, acrescenta.
Quando o Ministério Público começa a agir, as empresas culpam o governo e as
autoridades pela falência. “Elas começam a cair de forma antecipada quando boatos
colocam em xeque sua credibilidade. E culpam essas notícias e as autoridades
por sua derrota. Chegam a dizer que se não fosse pelas investigações não teria
quebrado”, diz.
Semelhanças entre as pirâmides
Alta rentabilidade
As empresas oferecem lucros bem maiores do que os praticados pelo mercado
financeiro. Geralmente, o retorno ultrapassa 60% ao mês. No levamento de A
GAZETA foi possível achar empresas que prometem até 1.000% de retorno em 30
dias.
Como começam a quebrar
As empresas começam a quebrar quando surgem boatos de que são pirâmides
financeiras e que estão atrasando os pagamentos. Às vezes, a situação fica
ainda mais complicada, provocando a ruína do negócio de imediato, quando um
cheque de pagamento, por exemplo, é devolvido. O início das investigações
feitas pela polícia e pelos Ministérios Públicos também contribuem para a queda
das empresas.
Serviços surreais
As empresas oferecem serviços, muitas vezes, nada tradicionais. Boa parte na
área de tecnologia, publicidade na internet e produtos que não têm tanto
interesse no mercado. A Avestruz Master, por exemplo, comercializava uma ave
que não tinha tanto interesse nacional. “Se você tem serviços gratuitos na
internet, porque pagar por um sistema de telefonia na internet?”, questiona o
promotor Murilo Moraes e Miranda, em relação as empresas que vendem esse
produto.
Ostentação
As empresas dão prêmios caros, como carros de luxo, fazem publicidade de
líderes usando helicópteros, com a intenção de atrair pessoas interessadas em
ficar ricas de forma rápida. Essas empresas fazem publicidade também em grandes
canais de TV e patrocinam até clubes de futebol ou grandes eventos culturais.
Empresas legalizadas
Geralmente, as pirâmides financeiras, para mascarar o golpe, são registras na
Junta Comercial, têm CPNJ e até pagam impostos. Algumas, quando são criadas,
são registradas em áreas totalmente diferentes. O objeto social é transformado
no decorrer dos anos.
Veja as empresas
Empresas suspensas pela Justiça
1 Priples: A empresa pernambucana da área de mídia digital oferecia lucro de
60% ao mês. O interessado precisava pagar adesão de R$ 100 a R$ 10 mil.
2 Telexfree: A empresa de Vitória afirma vender VoIP, no entanto, é acusada de
sobreviver das taxas de adesão que custam entre US$ 50 a US$ 1.375. A empresa
promete vários tipos de ganhos, a maioria relacionados à publicação de anúncios
na internet e ao recrutamento de integrantes.
3 BBom: O grupo diz atuar com a venda de serviços de rastreamento veicular. Os
associados pagam taxas de adesão a partir de R$ 600 e são recompensados pela
formação de rede.
4 Blackdever: A empresa mineira que comercializa cartões de crédito pré-pagos,
cobrando taxas de adesão de R$ 600 a R$ 9.950.
Empresas com inquérito aberto
5 Multiclick Brasil: O grupo de Santa Catarina é investigada em diversos
Estados por formação de pirâmide financeira, apesar de afirmar estar 100% livre
de acusações. A empresa promete remunerar às pessoas que compartilharem
anúncios no Facebook.
6 Mister Colibri: A empresa que tinha sede em Fortaleza e se mudou para
Brasília continua a ser investigada, segundo os Ministérios Públicos Federal e
Estadual de Minas Gerais, apesar de afirmar estar 100% livre dos inquéritos. A
empresa diz que seu negócio está em conformidade com a nota técnica do Ministério
da Justiça. Segundo a companhia, o foco do negócio é a venda de produtos pela
internet.
7 Nnex: Tem inquérito aberto contra a empresa no Rio Grande do Norte. A empresa
afirma ser o negócio do século XXI. Para entrar, o interessado deve pagar
adesão a partir de R$ 695.
8 Cidiz: É uma empresa de Recife que diz atuar com a venda de roupas femininas
e masculinas. O kit de adesão custa entre R$ 1.513 e R$ 2.013. A Cidiz informa
que adotou o sistema de vendas diretas por modelo multinível depois de fazer uma
consultoria jurídica.
Empresas que Procons emitiram alerta
9 Ciao Network: A empresa, que tem sede em Vitória, afirma atuar com
telecomunicações. Segundo o site da companhia, a Ciao está ligada a uma empresa
americana. A taxa de adesão é a partir de R$ 250. A empresa promete 9 formas de
ganhos, sendo parte com a venda de chip 3G, aparelho de TV por assinatura via
internet, aparelhos celular, tablets, entre outros produtos. O site diz que os
ganhos podem alcançar a R$ 2 milhões. Segundo a empresa, a companhia tem
experiência de mais de dez anos no mercado nacional e internacional, possui
todas as licenças da Anatel e atua com vendas diretas.
10 Fide Network: A empresa diz oferecer descontos de 60% a 90% em produtos como
eletrônicos, carros e remuneração vantajosa para quem se tornar um filiado e
formar uma rede de revendedores. Em seu site, a empresa não fornece informações
de como realmente funciona o negócio e cobra adesão de R$ 10 a R$ 600 e garante
lucro de R$ 40 a R$ 25 mil por mês.
Negócios de marketing multinível que prometem lucro alto
11 Multilike: A empresa afirma atuar com mídia digital e cobra adesão de R$ 60.
O lucro prometido é de até 1.000% por mês caso o associado faça muitos
recrutamentos.
12 WCM777: A empresa promete ganhos diários de US$ 32 dólares e afirma atuar
com armazenagem de informações na nuvem. A adesão é R$ 800.
13 GoBull: É a empresa mais falada dos últimos dias. Segundo as divulgações na
internet, para aderir à rede, o interessado precisa pagar taxas de R$ 600 e
assim ter direito de divulgar produtos. Em seu site, a empresa afirma que
comercializa estoques de produtos a seus participantes, permitindo ganhos com a
margem de venda e recompra das mercadorias.
14 Akmos: Empresa de marketing multinível do setor de vestuário e perfumes que
oferece lucro de até 67% a partir do pagamento de R$ 99. A empresa nega ser
pirâmide financeira e diz atuar com vendas diretas.
15 Emgoldex: A pessoa investe em barra de ouro, pagando taxas de adesão de 150
e 540 euros. A empresa afirma que o negócio tem risco zero devido à valorização
constante do metal. O retorno pode chega a 100%.
16 World GMN: Oferece até dez formas de ganho com adesão a partir de US$ 39. A
empresa diz atuar com produtos de tecnologia e energia eólica.
17 Ganhe Você Também: A adesão ao programa ocorre a partir do depósito de R$ 10
na conta de cinco pessoas. A empresa não tem produto e promete que o investidor
vai receber “milhares de depósitos de R$ 10”.
18 Winner Manager: O participante ganha milhares de reais apenas testando jogos
e indicando pessoas. A adesão começa em R$ 750.
19 ADS Gold: Adesão é de R$ 100 e oferece até 12 formas de ganho, com bônus de
R$ 40 a R$ 200 por indicação de pessoas.
20 First Class: Com adesão de R$ 580, promete lucro de R$ 180 por mês. Também
incentiva o recrutamento de 20 pessoas para a rede.
21 Money Over Work: A empresa diz atuar na área de investimento. A adesão é de
R$ 300 e dá lucro de R$ 810. A empresa diz que é necessário apenas uma 1
indicação para ganhar.
22 Recarbon: Cobra no mínimo R$ 90 para lucro de R$ 2.700, desde que a pessoa
indique outros 5 participantes.
23 Dumba: É um clube de compras em que o divulgador paga R$ 49,90 para aderir e
recebe 50% por cada adesão que promover.
24 Hinode: A empresa de cosméticos vende um kit de revendedor por R$ 180. A
empresa oferece comissão pelas vendas e bonificação para quem cadastrar outros
associados. A empresa afirma estar dentro das leis e atuar no mercado de vendas
diretas há 25 anos com mais de 300 produtos em seu portfólio.
25 Café Ferreira: Oferece remuneração para quem beber o café da marca. É
preciso pagar R$ 50 para ter lucro de até R$ 380 mil a partir da construção de
rede de associados.
26 Maxtracard: Cobra adesão a partir de R$ 140 e diz oferecer remuneração de
até R$ 1 mil por mês.
27 MultFree Magazine & Technology: É uma revista de tecnologia que cobra a
partir de R$ 300 por adesão e oferece lucro de até R$ 5,1 mil para seus
divulgadores.
28 Todos Ganham.net O site afirma não ser marketing multinível e sim atuar com
ajuda mútua. O site promete que o participante vai receber milhares depósitos
de R$ 5 desde que pague adesão de R$ 30.
29 Clube Renda 10: Promete infinitos depósitos de R$ 10 na conta da pessoa que
pagar R$ 10 de adesão.
30 Sistema Ajudando Todos: Promete lucros para quem depositar R$ 10 na conta de
quatro pessoas.
31 Global MultiX Cobra: adesão a partir de R$ 50 e promete lucros de até R$
5.550 ao mês. A empresa diz atuar com pacotes turísticos e leilões virtuais.
32 Global Ajuda Mútua: Promete até R$ 13.500 de retorno financeiro para quem
investir R$ 15.
33 Grupo Ajuda Mútua: Promete rendimento diário ou semanal para quem depositar
R$ 50.
34 Sistema Ajuda Mútua: O site promete lucro de até R$ 30 mil para quem deseja
pagar dívidas. O consumidor deve pagar R$ 30 de adesão.
35 FR Promotora: A empresa cobra adesão de R$ 25 e oferece lucro de até R$ 9
mil. A empresa diz atuar com a venda de plano de saúde e seguros de vida.
36 Jovem Investidor: Cobra adesão de R$ 249. O associado fatura de acordo com o
número de indicados.
37 Fila do Bem: O site não oferece produtos e cobra adesão de R$ 30 da pessoa
interessada em lucrar.
38 Open Criative: Os afiliados pagam adesões de R$ 50 a R$ 200 e lucram até R$
8.808 por mês.
39 Rede Remunerada: O interessado faria depósito de R$ 5 e teria renda de R$
3.125 ao mês, desde que passe trazer mais gente para a rede.
40 Lance Link: A empresa afirma atuar co com publicidade no Facebook.
Associados pagam adesões de R$ 120 a R$ 1,8 mil para publicar de 5 a 20 links
por semana na rede social. A comissão semanal varia de R$ 8 a R$ 120.
41 Polishop com.vc: Cobra taxa de adesão a partir de R$ 620 da pessoa que
deseja se tornar revendedora da marca. A empresa também garante bonificações
por indicação e comissão de acordo com as vendas da rede formada pelo associado
líder.
42 Telnac: Oferece comissão de 50% para cada franquia que um associado vender.
A empresa diz atuar no setor de VoIP e afirma oferecer remuneração de 30% a 50%
para o afiliado que formar rede de franqueados de até 11 níveis.
43 Ripple: Em seu site a empresa fala que sua plataforma social será lançada
mundialmente neste mês e que vai oferecer ganhos com rede de afiliados.
44 Belcorp: A empresa oferece descontos de até 60% sob mais de 500 produtos de
três marcas de cosméticos e promete remuneração para quem formar rede de até
cinco níveis.
45 Evolução X: A empresa afirma atuar com a venda de um sistema para leitura
dinâmica. É cobrada uma adesão de R$ 600 para a pessoa se tornar um
empreendedor independente.
46 Dreams and Gold: A empresa afirma ter parceria com vários hotéis do Brasil e
oferece seis tipos de ganho aos associados. Entre as bonificações estão os
ganhos com a indicação de outros associados.
47 Nova Luz Brasil: Em seu site, a empresa informa que vai oferecer produtos
(não identificados) com descontos de até 40%. A pessoa ganha comissão a partir
das indicações. Se tiver uma rede de cinco níveis, o associado pode ganhar mais
de R$ 100 mil por semana. A adesão custa a partir de R$ 700.
48 Atlântida Network: Em seu site a empresa diz que o foco principal é a
construção da rede. “Portanto devemos usar os produtos para girar capital no
negócio. Para funcionar a perfeita engrenagem é necessário que cada um convide
uma pessoa para o negócio e esta pessoa convide outra, que convida outra, e
assim por diante, formando uma rede de negócios”, diz o texto. A empresa diz
atuar com a venda de suplementos alimentares e produtos capilares e promete
ganhos de até R$ 50 mil por mês.
49 Email.net: A remuneração é feita a partir da leitura e-mails, indicação de
amigos ou comerciantes. A empresa informa que o sistema é legal, pois o
afiliado tem opções de cadastro gratuita. A empresa diz que possui serviço de
publicidade via e-mail marketing, links patrocinados, e SMS marketing que
garante a sobrevivência da empresa mesmo sem adesões.
50 Luxor Perfumes: A empresa afirma vender perfumes e para isso atrai
distribuidores independentes que podem formar redes de até cinco níveis. A
companhia diz ser possível lucrar por mês mais de R$ 40 mil. O investimento é a
partir de R$ 189.
Fonte: A Gazeta
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/08/noticias/dinheiro/1457189-lista-de-piramides-nao-para-de-crescer.html
http://www.enfoconoticias.com.br/noticia/lista-de-piramides-nao-para-de-crescer,marketing-multi-nivel,4532.html