Manifestantes fizeram uma vigília pelos mortos durante os protestos

O ministro do Exterior do Egito, Ahmed Aboul Gheit, rejeitou nesta quarta-feira o que chamou de tentativas do governo americano de impor sua vontade sobre o governo egípcio.
Em entrevista à rede de TV americana PBS, Gheit disse ter ficado 'atônito' ao saber das declarações do vice-presidente americano Joe Biden, que na noite de terça-feira havia pedido que o governo egípcio suspendesse imediatamente o estado de emergência em vigor há 30 anos no país.
'Eu fiquei realmente atônito, porque neste momento, enquanto falamos, há 17 mil prisioneiros soltos nas ruas após escapar de prisões que foram destruídas. Como vocês podem me pedir para dissolver o estado de emergência enquanto estou em dificuldades?, disse o ministro.
Ao ser questionado sobre se os pedidos do governo americano por mudanças imediatas e significativas eram 'um conselho útil de um amigo', o ministro respondeu que 'de maneira alguma'.
'Quando vocês falam de rápido, imediato, agora', disse o ministro, 'vocês estão impondo sua vontade (sobre o Egito).' Ele afirmou, no entanto, que acredita que as boas relações entre Estados Unidos e Egito vão continuar.
Segundo o ministro, o governo do Egito já traçou um plano para a implementação de reformas e esse projeto está indo adiante, mas precisa de tempo.

Casa Branca
Também nesta quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o governo do Egito deve 'fazer mais' para atender às exigências da população e que as medidas tomadas até agora não atingem nem mesmo o limite mínimo exigido pelos manifestantes.
'Eu acho que o processo de transição não parece estar alinhado com o povo do Egito', disse Gibbs, em Washington.
'Nós acreditamos que mais deve ser feito. E, mais importante, eu penso que o povo do Egito acredita que mais deve ser feito', afirmou.
Segundo Gibbs, enquanto o governo egípcio não tomar medidas 'concretas' os protestos vão continuar.
O porta-voz da Casa Branca disse ainda que os Estados Unidos estão revisando seu programa de ajuda ao Egito e que a moderação do governo egípcio e a implementação de reformas irão determinar o futuro do programa.
O Egito recebe dos Estados Unidos mais de US$ 1 bilhão por ano em assistência, grande parte destinada ao setor militar.

Protestos
Nesta quarta-feira, centenas de milhares de manifestantes voltaram a tomar as ruas da capital egípcia no 16º dia consecutivo de manifestações pela saída do presidente Hosni Mubarak.
Os manifestantes ocuparam a Praça Tahrir, onde têm sido realizados protestos diários, e também promoveram uma manifestação pacífica na rua do Parlamento egípcio.
À noite, eles fizeram uma vigília na praça, em homenagem aos que foram mortos durante as manifestações. A ONU estima que cerca de 300 pessoas já morreram desde o início dos protestos.
Também foram registradas greves em vários pontos do país. No Canal de Suez, cerca de 6 mil trabalhadores estatais paralisaram suas atividades.
Na cidade de Kharga, a cerca de 500 km ao sul do Cairo, pelo menos uma pessoa morreu em choques entre manifestantes e a polícia.
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