“Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema”.
No período acima, Mário de Andrade misturou diferentes tipos de sensações: visuais, olfativas e gustativas. A isso chamamos sinestesia, figura de palavra que consiste em agrupar e reunir sensações originárias de diferentes órgãos do sentido: visão, tato, olfato, paladar e audição.
Veja este outro exemplo:
“O sol de outono caía com uma luz pálida e macia”.
Neste caso, “pálida” e “macia” reúnem sensações de visão e tato, respectivamente. O uso dessa figura de expressão, além de embelezar o texto, amplia o sentido do termo a que se refere. O uso destes adjetivos nos faz ter uma melhor idéia desse tipo de luz solar: fraca, aconchegante, agradável.
Outros exemplos de sinestesia:
“Dirigiu-lhe uma palavra branca e fria como agradecimento”.
“Os carinhos de Godofredo não tinham mais gosto dos primeiros tempos”. (Autran Machado)
Em suma, sinestesia é a transferência de uma sensação sugerida por um sentido para outro sentido.
“As falas sentidas, que os olhos falavam
Fontes
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 103.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 405.