Canguaretama: Reféns são liberados, após três horas de negociação



Reféns são liberados, após três horas de negociação 



Roberto Lucena e Sara Vasconcelos
Repórteres

As polícias civil e militar do Rio Grande do Norte conseguiram frustrar o plano de um trio de bandidos que tentou assaltar a agência do banco Bradesco no município de Canguaretama, a 67 quilômetros de Natal. Os criminosos mantiveram um grupo de 50 pessoas como refém enquanto negociavam com os policiais. A ação aconteceu na manhã de ontem (2) e, após mais de três horas de negociação, os assaltantes se renderam e liberaram as vítimas. Ninguém ficou ferido. A polícia investiga se os bandidos agiram em outros assaltos a bancos na região.


Humberto Sales
Policiais Militares do Bope efetuaram a prisão dos três assaltantes, após a rendição. Assalto começou por volta das 11h de ontemPoliciais Militares do Bope efetuaram a prisão dos três assaltantes, após a rendição. Assalto começou por volta das 11h de ontem

A agência localizada na rua João Teixeira de Carvalho, no Centro de Canguaretama, estava lotada no momento da ação dos bandidos. Além dos 50 clientes, aproximadamente 10 funcionários, entre eles, dois seguranças particulares, estavam no local. Os três criminosos chegaram por volta das 10h30 e anunciaram o assalto. Os três estavam armados com revólveres calibre 38 e afirmavam que queriam o dinheiro dos caixas.

De acordo com policiais militares, populares perceberam a movimentação no banco e ligaram para o 190. Uma viatura com homens da 2ª Companhia de Polícia Militar (2ª CPM) de Canguaretama se deslocou até o local para averiguar a ocorrência. Ao perceber a presença dos policiais, os bandidos decidiram fazer as vítimas de reféns para negociar a rendição.


Entre as vítimas, havia idosos e crianças. Parte destes foi liberado logo que as negociações foram iniciadas. A conversa entre bandidos e polícia foi intermediada pelo capitão Luiz Carlos Oliveira, comandante da 2ª CPM que usou um telefone celular para se comunicar com os bandidos. Policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e policiais civis da Divisão Especial de Investigação e de Combate ao Crime Organizado (Deicor) também estiveram no local.

A movimentação alterou a rotina do município. Muitas pessoas foram ao local observar a ação dos policiais. Para liberar os reféns, os bandidos fizeram algumas exigências. Eles queriam a presença de advogados e da imprensa. As exigências foram atendidas e, por volta das 13h30, os bandidos se renderam e os reféns foram liberados.

Os bandidos não quiseram conversar com a imprensa. Um deles, identificado como Otoniel Nogueira de Carvalho, 43 anos, ironizou quando questionado de onde era natural. “Vim do inferno”, falou. De Canguaretama, eles foram conduzidos pelo Bope à Deicor onde foram ouvidos e, de lá, seguiram para uma das unidades prisionais do Estado. Os outros dois criminosos, ambos com 24 anos, foram identificados como Levi Oliveira de Souza e Waymaier Menezes Fonseca.



Vítimas
Após a prisão dos bandidos, os reféns foram liberados. Em fila, eles saíram da agência e eram conduzidos a uma sala localizada em um prédio comercial ao lado do banco. A sensação era de alívio. “Fiquei com muito medo de levar um tiro. O susto foi grande. Não sabia o que poderia acontecer, mas graças a Deus terminou tudo bem”, relatou a dona de casa Maria da Glória, 39 anos. Ela foi à agência para sacar dinheiro de uma pensão, mas voltou para casa sem o dinheiro. “Eu era a próxima da fila quando os bandidos entraram no banco”, completou. 


Policiais Militares do Bope efetuaram a prisão dos três assaltantes, após a rendição. Assalto começou por volta das 11h de ontem - Foto:Humberto Sales


Um dos seguranças particulares, que preferiu não revelar a identidade, contou que os bandidos agiram com violência quando anunciaram o assalto. “Eles chegaram gritando, dizendo que era um assalto e pegaram minha arma. Foi um aperreio grande”, contou. 

A aposentada Maria dos Prazeres, 63 anos, relatou que também ficou com muito medo de morrer. “Um dos bandidos ficou do meu lado com a arma bem grande na mão. Nunca tinha nem visto um assalto. O medo foi grande”, disse ela.

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