quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tipos de Munições



Passemos a analisar a efetividade de diferentes munições de acordo com a melhor adequação ao serviço policial. No Brasil contamos com apenas um grande fabricante de munições, a CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos, que mesmo contando com uma boa qualidade em seus produtos, ainda não explorou todo o potencial que os diferentes calibres têm a nos oferecer. É certo que a CBC fornece ao mercado brasileiro uma grande variedade de cartuchos, mas ainda nos falta muito.

O que na prática acontece no país é a recarga de munição, sendo que academias de polícia e outros órgãos das Secretarias de Segurança Pública comumente a realizam. Porém, nos abstemos aqui a analisar as munições originais de fábrica.

1) Munição de chumbo, com ponta ogival, canto-vivo e semi-canto-vivo

Elmer Keith, falecido escritor de armas e munições, afirmava que as melhores munições para revólveres eram as de chumbo, de desenho semi-canto-vivo que ele próprio desenvolveu. Dizia que os revólveres não necessitavam das munições jaquetadas, mas sim das de chumbo endurecido, mais tradicionais e econômicas.
Dentre os projéteis feitos de chumbo, os mais comuns são os de ponta ogival. Esses projéteis não possuem facilidade de expansão. Também não possuem uma boa penetração, sendo os que transmitem menos impacto contra o alvo. Dessa forma, são considerados os menos adequados ao serviço policial.
Chumbo Ogival
Outro tipo de projétil de chumbo é o canto-vivo, muito mais eficaz do que o ogival. São munições comumente utilizadas para a prática de tiro ao alvo e, mesmo possuindo pouca velocidade, provocam ferimentos terríveis, devido ao seu formato. Não possuem um grande poder de penetração, não sendo, portanto, eficazes quando se quer atingir alguém que esteja atrás de algum "escudo".
Chumbo Canto-vivo
Um terceiro tipo de projétil de chumbo é o semi-canto-vivo, que une as qualidades de penetração ao corte deixado pelo projétil de tipo canto-vivo. A primeira força policial a utilizar esse tipo de munição foi o FBI. Esses projéteis de tipo semi-canto-vivo são os mais eficazes dentre os projéteis de chumbo endurecido.
Chumbo Semi-canto-vivo

2) Pontas jaquetadas

São projéteis de chumbo, envolvidos por uma carapaça de cobre ou alumínio. Comumente são empregados em arma automáticas e semi-automáticas, devido a sua maior confiabilidade no que diz respeito à alimentação. Seu desenho é geralmente ogival, permitindo-lhe uma boa penetração, porém o corte deixado no corpo de um indivíduo por esse tipo de projétil possui uma baixa carga traumática, já que a ferida possui um canal estreito.
Jaquetada
Existem munições jaquetadas que possuem as pontas perfuradas, proporcionando uma maior transmissão de energia ao alvo. Esses projéteis já contam com uma maior expansividade, criando um estrago considerável no alvo atingido. É de se salientar que esse tipos de projéteis, jaquetados de ponta oca, não podem ter uma jaqueta muito dura, o que prejudicaria sua expansão. As melhores munições com esse tipo de projétil são as Winchester Silvertip (para os calibres menos velozes - ex: 7,65mm e .380 ACP) e as Hydra-Shock, fabricadas pala Federal (para calibres mais velozes - ex: 9mm).
Jaquetada Ponta Oca
Façamos algumas considerações importantes acerca desta última, a Hydra-Shock. Essa munição possui uma grande cavidade em sua ponta, sendo que em seu centro existe um pino. Quando o projétil atinge alguém, ocorre uma boa expansão aliada a uma penetração adequada. Essa expansão se dá porque os fluidos do corpo, ao entrarem na cavidade, são impulsionados pelo pino central a exercerem forte pressão contra as bordas laterais que circundam o projétil. Ao mesmo tempo, o pino ajuda na penetração, pois mantém a aerodinâmica do projétil, mesmo após sua expansão. Especialistas no assunto afirmam, com razão, ser esta a munição mais eficaz para o calibre 9mm.

3) Projéteis semi-encamisados

São aqueles em que a jaqueta de cobre (ou alumínio) não chega a cobrir todo o projétil, deixando sua ponta de chumbo exposta.

Podem ser de ponta oca ou de ponta macia, possuindo maior expansão e maior penetração, respectivamente.

São munições comumente empregadas em revólveres, em especial os de calibre .357 Magnum, sendo que a de ponta oca é considerada a mais efetiva para o uso desse calibre.
Semi-encamisado

4) Munições especiais

Existem munições que por suas particularidades únicas são classificadas de forma especial. São as munições de fragmentação, as explosivas e as perfurantes.

4.1) Munições fragmentárias

As mais conhecidas são as Glaser Safety Slug e as Magsafe.

O segredo da Glaser está em seu projétil, constituído por uma jaqueta de cobre oca, em cujo interior existem pequenos grânulos de chumbo. Por fim o projétil é selado por uma capa de plástico, cuja cor indica o poder da munição. As de ponta azul são carregadas com pressão normal e as de ponta preta são mais potentes e de uso privativo da polícia dos EUA.

São projéteis muito leves que atingem uma velocidade muito maior do que os projéteis convencionais.

Quando o projétil atinge o alvo ele o penetra espatifando-se em seu interior, em inúmeros fragmentos, transmitindo toda a sua força no impacto.

Trata-se de uma boa munição, com bom "stopping power" e extremamente adequada para uso em locais de grande aglomeração, já que esses projéteis não atravessam um corpo e não ricocheteiam.

4.2) Munições explosivas

São aquela em que, em sua ponta oca, existe uma pequena carga de pólvora selada com uma espoleta.

Trata-se de uma munição extremamente perigosa, visto que pode estragar a arma que a dispara, explodindo em seu cano (do que aliás já se tem notícias).

4.3) Munições perfurantes

Tratam-se de munições especialmente desenvolvidas para dar o máximo de penetração quando disparada de uma arma curta.