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Manual Prático do Policial Militar* by Flávio Henrique on 02/08/2010

Ok, o nome do blogue é Diário de um PM. Com um título desses, espera-se que publiquemos assuntos relativos ao cotidiano policial militar – óbvio. Muita gente que AINDA não é policial se interessa, tem visitantes que não almejam tal ofício mas respeitam o trabalho e temos também os policiais que nos visitam, normalmente se identificando com as histórias ou buscando novas informações acerca dos assuntos que nos rodeia. Hoje escrevo diretamente para os colegas de profissão.
Primeiramente, peço que conheçam o blogue Sobrevivência Policial, em especial o artigo “Aprenda com os policiais mais antigos“. O texto é longo, eu sei. Aqueles que não gostam de ler terão preguiça, mesmo assim façam o esforço. É interessante. O artigo é um manual que faz jus ao nome do site, que pertence a um Agente de Policial Federal. Depois, confiram o que o Sargento José Ricardo da PMMG, autor do Universo Policial, escreveu sobre a atuação policial militar em ocorrências. Por fim, vejam o recente texto no Abordagem Policial que o Tenente da PMBA Danillo Ferreira publicou.
Agora, humildemente, escrevo algumas dicas que poderão ajudar no trabalho. Claro, não sou antigo, mas com o pouco tempo de PM já deu para aprender algumas coisas (muitas da pior maneira), posso estar equivocados em outras, daí a necessidade de trocarmos experiências (pode ser por aqui). Então vamos lá!
  • Papel e caneta
Acredito que a maioria das ocorrências policiais são resolvidas no diálogo ou mesmo quando se faz necessário medidas enérgicas é importante registramos tudo. As pessoas mentem, se arrependem, desmentem, contam inúmeras versões, mudam seus testemunhos e não é difícil encontrarmos acusações contra a ação policial. Então, tenha a bordo da viatura caneta, papel e – para facilitar – alguns modelos de documentos pré-moldados, bastando apenas qualificar os autos. Segue dois dos mais básicos:
Autorização para entrada em domicílio – Esse é importante, imagine aquela conhecida ocorrência policial em que o marido agride a esposa (algumas vezes, filhos) dentro de casa. Depois que usamos a força e acalmamos os ânimos do agressor, é quase certo o arrependimento da mulher em ter nos chamado e principalmente se indignar por prender seu companheiro. Apesar de ser uma situação flagrante, o ideal é que o policial adentre a residência com a autorização do morador (a). Como ele (a) pode negar posteriormente que permitiu seu ingresso, o respaldo nesse documento livrará o PM de dores de cabeça no futuro. É bom lembrar que testemunhas são bem vindas. Nesse caso, pega aquelas vizinhas xeretas que ficam na calçada só “fiscalizando” o desenrolar da história.
Auto de resistência à prisão – Quem dera que todo suspeito detido assim o fosse de maneira pacífica, colaborativa. Infelizmente não é bem assim que acontece. E nossa atenção se redobra para não nos excedermos durante o calor da ocorrência. A Corregedoria é logo ali. Por isso, cuidado nas investidades, cuidado para não ser ferido, cuidado para que não machuquem inocentes e –  se der – cuidado para não utilizar uma força desproporcional. Para esses casos, confeccione o documento. Novamente as testemunhas são bem vindas. Tudo bem que a máxima “melhor ser julgado por 7 do que carregado por 6″, amplamente difundida em nosso meio, tem a sua lógica de sobrevivência. Só que o ideal é evitar as duas situações.
  • Algemas
Parece lógico o uso delas e estritamente necessário em toda condução de preso (embora nossos Ministros do STF não pensem assim), mas dificilmente o Estado irá fornecê-las. Pelo menos eu ainda não vi meus colegas cautelando essa ferramenta. Até onde sei, cada um adquire a sua. Eu comprei a minha. Não espere pelos outros e se puder comprar da melhor, compre. Isso não é gasto, é investimento. Ela pode ser a garantia de sua vida. Quer retorno melhor?
  • Lanternas
Quantas vezes já realizamos uma busca em um ambiente escuro? Uma rua sombria, um prédio abandonado, o que seja. Tenha sempre a bordo da viatura uma lanterna potente e outra menor em seu cinto. Nós não somos o Batman, mas os apetrechos que carregamos são de uma utilidade ímpar, senão não estariam lá. A importância desse objeto triplica se você trabalhar em uma zona rural. E toda vez que for para o serviço confira se elas estão funcionando!
  • Luvas cirúrgicas
A gente encontra muita mazela e doenças são comuns. É melhor não arriscar, sempre que alguém estiver ferido coloque as luvas e mesmo depois lave bem as mãos.
  • Armas de fogo
Esse é o tipo de instrumento que a gente reza para não ter que usar, mas caso seja preciso queremos que esteja ao alcance e – claro – não falhe. Sendo assim, verifique as condições de seu armamento. Quando possível realize uma breve manutenção. Um kit de limpeza para pistola ou revólver não custa mais do que R$ 30,00. Logicamente tenha ele sempre em pronto emprego. Seja íntimo de sua arma, tenha munição farta e outra para garantir. O famoso backup.
  • Armas não letais
Elas são importantes porque nem toda situação que necessite o uso da força, deverá ser usado o chumbo. Às vezes, o bom e velho bastão resolve (talvez por isso já queiram proibi-lo). O importante é que você tenha outras opções antes de chegar ao extremo de usar a arma de fogo. Por isso, hoje em dia as polícias têm investido cada vez mais em táticas e tecnologias menos que letais.  Ainda sonho com o dia em que cada equipe na rua disponha de taser (arma de choque incapacitante), bastão ou tonfa (aquele em forma de L) e o gás de pimenta. Agora cuidado com os excessos e lembre-se: essas coisas não são brinquedos.
*Essas são as dicas (bizu) mais básicas e  que provavelmente todo policial já as conhecem muito bem. Seria muita pretensão acreditar que essas linhas sejam um “manual” para o PM. No entanto, esse espaço é acima de tudo para o aprendizado. Sendo assim, os colegas que quiserem compartilhar e enriquecer nossos conhecimentos ou ainda discutir sobre o complexo serviço policial fique a vontade nos comentários.
Mais uma vez, agradeço ao colega Tião Ferreira que há muito tempo disponibilizou o Serviço Eletrônico de Apoio Policial ao Policial.


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Canções para TFM

DEMÔNIOS CAMUFLADOS DEMÔNIOS CAMUFLADOS VÃO SAIR DA ESCURIDÃO,
SENTINELA ENSANGUENTADO VAI ROLANDO PELO CHÃO,
E PERGUNTEM DE ONDE VENHO, VENHO DA ESCURIDÃO,
TRAGO A MORTE, O DESESPERO E A TOTAL DESTRUIÇÃO.
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SANGUE FRIO EM MINHAS VEIAS CONGELOU MEU CORAÇÃO
NÓS GOSTAMOS DE EXPLOSIVOS NOSSO LEMA É VIBRAÇÃO.
QUEM ÉS TU? QUEM ÉS TU?
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A SUA MISSÃO É DESTRUIR
A TROPA INIMIGA QUE TENTA INVADIR

CORRIDINHA MIXURUCA CORRIDINHA MIXURUCA,
QUE NÃO DÁ NEM PARA CANÇAR.
NESSE PASSO, NESSE PASSO,
VOLTA AO MUNDO EU VOU DAR.
NESSE PASSO, NESSE PASSO
TODOS JUNTOS VÃO CHEGAR.
E SE ALGUÉM NÃO AGUENTAR,
EU VOU TER QUE ARRASTAR.
E SE O ARRASTO ME MATAR, PODES CRER TU VAI FICA
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MESMO MORTO VOU TE BUSCAR.




SALTITANDO, SALTI…

Canções Militares para o TFM.

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sentinela ensanguentado vai rolando pelo chão,
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trago a morte, o desespero e a total destruição.
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Sangue frio em minhas veias congelou meu coração
Nós gostamos de explosivos nosso lema é vibração.
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Guerreiro alado, que não sente dor!
Paraquedista, Comanf, Mergulhador!
A sua missão é destruir
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Corridinha Mixuruca Corridinha mixuruca,
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Nesse passo, nesse passo,
Volta ao mundo eu vou dar.
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