E foi devido a esse problema que o comando da Polícia Militar do Rio Grande do Norte decidiu mudar de atitude e está causando uma verdadeira “revolução” dentro da coreporação. São várias as medidas para aumentar a disciplina e punir o policial transgressor efetivamente. Tudo isso, pensando não só na segurança pública, mas também no enaltecimento da imagem da PM diante da sociedade.
Essa “revolução”, inclusive, pode ser percebida em números. Desde a posse do coronel Francisco Araújo Silva no comando-geral da Polícia Militar, no dia 1º de abril deste ano, 26 policiais militares já foram obrigados a deixar a farda. Um claro sinal de que a intolerância com os transgressores da lei não será mais perdoada. Para se ter uma ideia do que representa esse número, é como se um PM fosse desligado por semana. Claro que nem todos os processos que levaram à exclusão ou o licenciamento dos policiais que foram analisados pelo coronel Araújo Silva, começaram depois que ele assumiu o comando. Alguns são desde a gestão passada, do coronel Marcondes Rodrigues.
Nem todos, também, estão totalmente fora da Polícia. Fora da PM mesmo, inclusive, só 17 dos 26. Sete foram licenciados e dez foram excluídos – o policial é excluído se tiver mais de 10 anos de trabalho e licenciado se tem menos, mas o efeito é o mesmo: ele está definitivamente fora da corporação. Os outros nove casos dizem respeito a PMs que recorreram da decisão inicial do coronel Araújo e ainda aguardam um ponto final no caso. A questão é que quem vai analisar o recurso é, justamente, o mesmo comandante. “Isso existe para que seja dada ao PM ampla liberdade de defesa, mas é raro a mudança de decisão”, afirmou o coronel Araújo.
A “ampla liberdade de defesa” é, justamente, um dos pontos que contribuem para que o processo de exclusão do “PM criminoso” não seja tão rápido quantos muitos achavam que deveria ser. “É como se fosse um processo criminal mesmo. Há uma denúncia, ela é investigada, provas são anexadas, ela é encaminhada para a comissão, é dado o tempo para a defesa se manifestar e, se passar tudo, chega até o comandante. Não é rápida assim como nenhum processo desse tipo pode ser”, explicou o major Franco, da assessoria jurídica da PM.
O major Franco explica, também, que são cinco os processos contra o PM, além, claro, do Código Penal, em caso dele ter cometido algum crime. “O PM pode ser alvo de uma sindicância, de um inquérito policial militar (IPM), de um processo administrativo disciplinar (PAD), de um conselho de disciplina e de um conselho de justificativa”, explica. O coronel Araújo ainda lembra que isso não é só. “O PM aqui no Estado é regido pelo Regulamento Militar, pelo Código Penal Brasileiro, pelo Código Penal Militar e pelo Estatuto Militar. Ou seja, ele precisa de muita disciplina e estamos justamente cobrando muito isso para evitar desvios”, garante.
Além das exclusões “sem pena”, conforme diz o coronel, outra forma encontrada pelo Comando para cobrar mais disciplina é a ameaça de estagnação na carreira militar. Um PM que comete um crime disciplinar grave e é preso por 30 dias, tem seu conceito considerado “ruim” e não terá direito a promoções e cursos por um longo período. “Ele ficará nove anos sem ter direito a isso, porque é exigido um conceito no mínimo ‘bom’ para ter promoções ou participar de cursos de capacitação”, afirma o major Franco.
Já o “bom policial” tem sido, pelo menos nesse início, procurado, incentivado e bem remunerado. “Neste ano, já realizamos a promoção de mais de dois mil militares, que estavam, alguns, há 10 anos sem progressão na carreira. Com isso, os demais policiais podem ver que as promoções estão ocorrendo e os benefícios estão sendo dados, basta serem bons no trabalho”, disse o coronel Araújo.