quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Hígia: réu confirma esquema de propina que beneficiava Lauro Maia

Anderson Miguel afirmou que teve que pagar dinheiro para liberar verbas de contratos na Secretaria Estadual de Saúde.

Por Thyago Macedo
Um dos réus no processo da Operação Hígia, o empresário Anderson Miguel, confirmou à Justiça a existência de um esquema de pagamento de propina no Governo do RN, que tinha como principal beneficiado Lauro Maia, filho da ex-governadora Wilma de Faria. O juiz Mário Jambo, da 2ª Vara Criminal, iniciou os depoimentos dos réus no processo nesta quinta-feira (25).

O primeiro a ser ouvido, no início da manhã foi o ex-secretário de saúde Adelmaro Cavalcanti. Na sequencia, o juiz passou a ouvir Anderson Miguel. Durante a audiência, o empresário explicou que sua empresa A&G tinha um contrato de prestação de serviços com a Secretaria Estadual de Saúde, mas que precisou pagar “propina” para receber o valor contratado.

“A gente quando faz um contrato, encontra dificuldades para receber, às vezes começa a encontrar entraves”, disse. O empresário citou que o contrato de higienização feito pela A&G chegou a ficar três meses atrasados.

A partir daí, Anderson Miguel conta que teve um encontro com o Fernando Faria, irmão da ex-governadora Wilma. Nesta conversa, Fernando teria dito que para a liberação do pagamento ser feita o empresário da A&G precisaria pagar valores por fora.

Com esse depoimento, o juiz Mario Jambo questionou ao réu como era feito o pagamento. “Esse dinheiro era entregue a outras pessoas, no meu escritório, mas tinha como destinatário final Lauro Maia”, declarou Anderson Miguel. Ainda durante a audiência, o empresário citou pessoas que teriam ido ao seu escritório.

“Além do Fernando Faria, também estive com Luiz Gonzaga [Luizinho], que é ex-prefeito de Macaíba, o jornalista Diógenes Dantas e João Henrique Lins Bahia [que era secretário-adjunto de esporte]”, afirmou. 

Em relação às declarações do empresário, o jornalista Diógenes Dantas rechaça qualquer tipo de envolvimento. “Eu estou surpreso com citação do Anderson Miguel, um dos denunciados na Operação Hígia". 

O jornalista confirma sim que esteve na A&G, mas foi a convite de Anderson para apresentar o portal Nominuto.com, veículo que Diógenes Dantas dirige. 

“Por solicitação dele, eu estive na sede da empresa A&G em novembro de 2007 para apresentar o projeto do Portal Nominuto.com e tentar vender espaço comercial como sempre fiz nos contatos com empresários e dirigentes de instituições públicas, afinal, como veículo de comunicação, o Nominuto se mantém com a venda de propaganda. No dia 30 de novembro daquele ano, conforme arquivo no portal, foi encaminhada uma proposta comercial que sequer vingou, cessando aí qualquer tipo de contato com esta empresa, que na época da visita merecia o meu respeito e foi tratada de forma idônea como tenho agido ao manter reuniões com potenciais anunciantes do mercado local”.

Diógenes Dantas lamentou as citações e lembrou que toda sua equipe sempre fez coberturas da Operação Hígia, desde o início, investigando e publicando os fatos. “Rechaço qualquer citação ou denúncia de envolvimento com qualquer um dos personagens da Operação Hígia. Aliás, isso está claro na cobertura registrada pelo Nominuto.com, um dos primeiros a noticiar o episódio e seus desdobramentos. Como também na minha atuação no Jornal 96 e como editor do semanário Nasemana, que circulava na época do escândalo político/administrativo. Lamento a citação do réu no processo e estou à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos, se assim for necessário”. 

A Operação Hígia foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 13 de junho de 2008. Na ocasião, foram cumpridos 13 mandados de prisão no Rio Grande do Norte e um deles em João Pessoa, na Paraíba.

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